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Agenda Econômica Semanal: Brasil e Cenário Internacional em Perspectiva

A semana econômica se apresenta particularmente relevante, combinando a divulgação de indicadores macroeconômicos, a atualização de expectativas de mercado e a realização de eventos internacionais que ajudam a balizar decisões de política econômica e estratégias corporativas. Em um ambiente ainda marcado por inflação resistente, crescimento moderado e elevada incerteza geopolítica, a leitura integrada entre fatos domésticos e internacionais torna-se essencial para compreender os vetores que moldam o cenário econômico no curto e médio prazos.


Cenário Internacional


No plano internacional, o destaque inicial recai sobre o Fórum Econômico Mundial (WEF), que começou nesta segunda-feira, 19 de janeiro, em Davos, na Suíça, sob fortes tensões geopolíticas e em um ambiente global marcado pela fragilização dos mecanismos tradicionais de cooperação internacional. O encontro anual, que reúne cerca de 3 mil líderes políticos, empresariais e representantes da sociedade civil, ocorre sob o tema “O Espírito do Diálogo”, com o objetivo declarado de fomentar coordenação em um contexto de divergências crescentes entre grandes potências e riscos econômicos sistêmicos.


Além das discussões recorrentes sobre comércio internacional, conflitos armados e política externa, ganham espaço preocupações estratégicas relacionadas principalmente à Groenlândia, região que voltou ao centro do debate global em função de sua relevância geopolítica, militar e do potencial de exploração de recursos naturais e minerais críticos. A presença do presidente dos Estados Unidos, à frente da maior delegação norte-americana já enviada ao evento, reforça o peso dessas agendas e consolida Davos como fórum central para o debate sobre riscos, oportunidades e reposicionamento estratégico no cenário econômico global.


Paralelamente, a agenda internacional é marcada pela divulgação de dados de atividade e inflação nas principais economias.


A China apresentou números recentes de PIB, produção industrial e vendas no varejo, indicando crescimento anual próximo de 4,8% no último trimestre, mas ainda sob pressão de desafios estruturais, especialmente no consumo doméstico e no setor imobiliário.


Na Europa, os dados finais de inflação ao consumidor mantêm a taxa anual em torno de 2,1%, reforçando o debate sobre os próximos passos do Banco Central Europeu em um contexto de crescimento moderado.


Nos Estados Unidos, apesar do feriado no início da semana, a atenção do mercado se volta para a divulgação do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) e indicadores de atividade, fundamentais para calibrar as expectativas em relação à política monetária do Federal Reserve.


Agenda Doméstica – Brasil


No cenário doméstico, o principal destaque da semana é o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, que consolida as expectativas do mercado financeiro para os principais indicadores macroeconômicos. A mediana das projeções para o IPCA de 2026 recuou para cerca de 4,05%, permanecendo dentro do limite superior da meta contínua de inflação (4,5%), o que sugere uma percepção de arrefecimento gradual das pressões inflacionárias.


Para o crescimento econômico, o mercado mantém uma visão cautelosa, com expectativa de expansão do PIB em torno de 1,8%, evidenciando um ritmo ainda modesto de atividade. No campo monetário, a projeção é de que a taxa Selic encerre 2026 próxima de 12,25% ao ano, indicando a manutenção de condições financeiras restritivas por um período ainda muito prolongado. Já no câmbio, a mediana das expectativas aponta o dólar ao redor de R$ 5,50 no fim de 2026, refletindo um cenário de volatilidade controlada, porém muito sensível ao ambiente externo.


Além do Focus, outro destaque importante dessa semana será a divulgação do IPCA-15, prévia da inflação oficial, este índice deve fornecer sinais relevantes sobre o comportamento dos preços no início do ano, influenciando as expectativas para as próximas decisões do Comitê de Política Monetária.


Embora não haja reunião do Copom nesta semana, o conjunto de dados agora divulgado alimenta o debate sobre a trajetória futura da Selic e o balanço de riscos entre inflação, atividade econômica e credibilidade fiscal.


Considerações Finais


Em síntese, a agenda econômica da semana reforça a complexidade do ambiente macroeconômico atual, no qual indicadores tradicionais convivem com fatores geopolíticos de elevada relevância.


Enquanto o cenário internacional segue condicionado por inflação persistente, crescimento moderado e tensões estratégicas entre grandes potências, o Brasil enfrenta o desafio recorrente de equilibrar suas contas públicas, estabilidade de preços, retomada do crescimento e previsibilidade econômica.


Trata-se, portanto, de uma semana rica em sinais e narrativas, que oferece insumos valiosos para análises mais profundas ao longo de 2026.


Temos que ficar atentos.

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